Itamaraty suspende férias de embaixadores para tentar reação à crise ambiental

Itamaraty suspende férias de embaixadores para tentar reação à crise ambiental

O Itamaraty decidiu suspender as férias de todo os embaixadores do Brasil na Europa e nos demais países do G7 pelos próximos 15 dias, em um esforço para coordenar uma resposta ao que está sendo chamado no governo de “crise ambiental”, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto. O G1 confirmou a informação.

A decisão foi tomada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, depois de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Jair Bolsonaro no final da tarde de domingo. A preocupação é o estrago causado na imagem do Brasil pelas queimadas e o desmatamento na região amazônica.

A ameaça por alguns países europeus de não ratificar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é uma das consequências da crise ambiental.

O aviso foi feito nesta segunda-feira através de uma circular confidencial e pegou os diplomatas de surpresa, mesmo em meio ao bombardeio internacional que o Brasil vem sofrendo pelas queimadas e desmatamento na Amazônia. Alguns embaixadores que estavam em férias – esse é o período de férias escolares no hemisfério Norte – tiveram que voltar.

Resposta diplomática
O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, o presidente dos EUA Donald Trump, o presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson participam de uma reunião da cúpula do G7 em Biarritz, no sudoeste da França — Foto: Ian Langsdon/Pool via AP O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, o presidente dos EUA Donald Trump, o presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson participam de uma reunião da cúpula do G7 em Biarritz, no sudoeste da França — Foto: Ian Langsdon/Pool via AP
O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, o presidente dos EUA Donald Trump, o presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson participam de uma reunião da cúpula do G7 em Biarritz, no sudoeste da França — Foto: Ian Langsdon/Pool via AP

A intenção é tentar coordenar uma “resposta diplomática” à crise. De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, a suspensão de férias não é incomum, mas normalmente é reservada a ações humanitárias, especialmente quando há risco de vida e necessidade de proteção a brasileiros.

Na semana passada, o governo iniciou, como mostrou a Reuters, uma ofensiva diplomática para tentar reverter os estragos que as queimadas na Amazônia estavam fazendo à imagem do Brasil. Foi distribuído a todos postos diplomáticos no mundo um documento de 12 páginas com 59 itens e dados para que os diplomatas defendessem o governo das acusações de mau gerenciamento do meio ambiente.

Além disso, também foi repassado um cartaz com 9 pontos sobre as queimadas preparado pelo Ministério do Meio Ambiente com a ordem de que todas as embaixadas e consulados os colocassem em sua página oficial nas redes sociais.

O material afirmava, entre outros pontos, que queimadas “acontecem todo ano no Brasil” e que este é o período crítico do ano – na verdade, o auge da seca na região Norte ainda não começou. O nono ponto apontava que “os incêndios que ocorrem agora não estão fora de controle”.

Até agora, a ofensiva nas redes sociais não teve muito sucesso. Diplomatas têm recebido e-mails e comentários nas redes, a sua maioria com reclamações pesadas à atuação do governo, tanto de brasileiros quanto de estrangeiros.

A crise internacional que assolou o governo começou com a divulgação de dados de acompanhamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrando que o número de focos de queimadas este ano está mais de 80% maior do que no mesmo período do ano passado.

Fotos da floresta queimando e de cidades da região cobertas de fumaça começaram a circular nas redes sociais, o que causou um movimento internacional de reclamações e cobranças contra o governo do presidente Jair Bolsonaro.

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